sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O comissionamento

Macapá, 3 de Julho de 2007


Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Acordei na frente de todo mundo, hoje. 5:50h, eu já estava de pé, bem mais disposto do que ontem e sem irritação na garganta, o que é melhor.

Depois da devocional, fomos ao café da manhã e, assim que chegamos na igreja, vimos a chuva caindo em Macapá pela primeira vez.

Na hora do intervalo, não fui navegar na internet, mas tentei ligara para a B.R.A pra comprar minha passagem de volta e não consegui comprar por telefone.

Falei de Jesus para um senhor católico na calçada, já que ele tinha puxado assunto comigo. Ele disse que aceita Jesus, mas entendi que do jeito particular dele, infelizmente,mas fiquei contente por ele ter me dito que iria refletir em tudo o que eu disse. Semente plantada.

Enquanto eu achava que o Eduardo estava passando maus bocados lá no Jari, mal sabia eu que haviam mandado ele para o céu. Eu queria ter conhecido esse paraíso, também

Quando acabou o intervalo, foi a hora do Pr. Gerson dividir as equipes da TRANS. Acabei ficando na capital e fiquei meio chateado porque eu queria andar de barco e ver muito mato ( ver índios e onças,também. eh eh eh) .

Em tempo: eu escrevi isso porque também tinha o preconceito de que o Amapá era cheio de índios e isso não é verdade. São muitos descendentes, mas poucos os legítimos e alguns ficam em lugares reservados pela FUNAI. Percebi que precisava ter mais respeito antes de falar dos brasileiros mais genuínos de todos.


Mal sabia eu que iriam remanejar algumas equipes e por acaso me colocaram mais afastado de Macapá, no distrito de Flexal.

Nenhum dos meus amigos teve a felicidade de ficar na mesma equipe de ninguém. Todo mundo se separou e foi para municípios bem distantes. No momento em que escrevo isso, o Eduardo já está a caminho de Vitória do Jarí. Eu ainda estou na escola porque só viajo amanhã. O pobre coitado vai ficar horas atravessando o Amazonas.

O culto de comissionamento foi um a bênção com outra palavra abençoada do Pr. Fernando Brandão( secretário executivo da JMN). E todos já estavam com o uniforme do projeto. Até a “Rede Amazônica” local filmou parte do culto para a televisão. (aparecemos no telejornal amapaense do SBT). Foi nesse culto que eu decidi participar do PAM - plano de adoção missionária.

Chegou a hora da despedida. Quando acabou o culto, o ônibus que levaria a galera para os municípios mais distantes parou em frente á igreja e eu me despedi do meu amigo Eduardo. Agradeço a Deus por ter usado ele para me dar ânimo para vir ao Amapá.

Falei ainda com a Alessandra(SP), Rejane(DF). Mas, o Ismael já foi e acho que eu não falei com ele.

Mas, o dia ainda não tinha acabado. A convenção pagou um jantar maravilhoso pra gente num lugar bem legal. Na verdade, era uma choperia e ficamos praticamente só nós,os voluntários, lá. Com música evangélica com ritmos musicais bem animados, incluindo forró. Eu me diverti muito.

Mas, descobri que sou muito durão pra dançar forró.

Quando voltamos pra escola, já era bem mais de meia noite e o pessoal foi comemorar o aniversário do Danilo(BA), e da Thainá( SP). Bem baixinho porque já tinha gente dormindo.


Quase esqueci de mencionar que antes do culto, levaram eu e o Rodrigo na casa de um irmão para pegar um fogão doado para o projeto. Fiquei irritado porque nos fizeram chegar atrasados( eu acho que perdi a foto oficial...).

Descobri que já tinha feito um grande amigo aqui. O Fábio(MA) é gente boa pacas. Ele tem uma mente consagrada a Deus. É um rapaz que leva Deus muito a sério, mesmo. Tanto ele quanto a Patrícia(GO). Outra menina super consagrada ao Senhor.

Fiquei feliz, porque nunca num projeto de qualquer igreja que eu tenha participado, vi tanta gente compromissada com a voz de Deus e desapegada das coisas materiais.Uma lição para mim que deus quer me dar aqui nesse lugar. Para sempre.

Antes de dormir, conversei com o Rodrigo e também com a Priscila(SP).

O pior de tudo é saber que só verei esse povo agora no dia 28. Em poucos dias, eu me apeguei muito a essas pessoas citadas aqui.

Ps: Liguei pra Flávia e contei parte das coisas que mencionei aqui. Ela ficou muito animada com a minha empolgação. Nunca me viu tão feliz!

Ps2: A Mônica (DF) me deu uma cartela de Paracetamol. Só Deus, mesmo!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Do chamado para o campo


Flexal, 4 de Julho de 2007



Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Finalmente, começou a parte mais crítica dessa TRANS: o período de adaptação no interior. Acabou a moleza da escola com ar-condicionado.

Depois de algumas horas de viagem, eu e Débora(MG) chegamos a Flexal. Distrito onde Deus nos designou para falar do seu amor.

Ainda bem que chegamos, pois saímos atrasados da escola e o ônibus do pessoal já estava saindo. Tivemos que correr e eu tive que implorar ao fiscal para ele segurar o ônibus.

No caminho, foi legal tirar foto de dois meninos descascando castanhas de caju. Uma cena que não se vê no Rio.




Ao descer do ônibus, eu me arranhei em algum lugar, mas não senti nada até ver o sangue saindo do meu cotovelo.

Aqui não tem enfermaria, só enfermeira. Amanhã, vou ter que ir a Tartarugalzinho tomar antitetânica por via das dúvidas. além disso, não há orelhão, nem tampouco banco. Eu não trouxe um centavo. Ou melhor, só tenho R$ 0,25 e eo que eu quiser, terei que pedir à Junta.

Amanhã, irão mandar a nossa verba pra cá. Acabei sendo escolhido como tesoureiro da equipe.

A água aqui não é tratada. Por isso, ajunta está mandando água pra todo mundo.. Alguns fungos da água daqui são até visíveis. nem fervendo dá jeito.

A casa que eu estou alojado é de madeira e fica atrás da igreja batista do Flexal. Ou melhor, é´parte dela. O lugar é complicadíssimo. Aqui há insetos que eu nunca vi na vida e o calor é o menor dos meus problemas ,agora.

Quando deu umas seis horas, eu fui um ótimo banqutee para os mosquitos, ou melhor, carapanãs. Passei repelente umas quatro vezes e eles não me deixaram em paz. A picada deles coça a beça.

Foi quando o irº Henrique, obreiro da igreja e morador da casa me emprestou uma camisa de manga comprida.

Logo mais á noite, realizamos o culto de oração. A Débora dirigiu e eu preguei. Percebi então, ser mais difícil pregara para as pessoas daqui do que se eu tivesse que pregar no maracanã. Isso porque é preciso ter um tao todo especial com as palavras. Afinal, estou no meio de uma cultura diferente e qualquer erro pode ser fatal.

Mas, os bichos continuam dando o ar de sua graça. Um filhote de sapo pulou no meu ombro e outro pra cima do meu tênis.

Essa é a parte onde eu vejo que vou depender totalmente da provisão de Deus. Em resumo, eu precisarei aprender a comer na mão dele.

Isso porque estamos na fase do medo. Medo do fato de não saber o que lhe aguarda. Medo de não saber tratar as pessoas, o medo de pegar malária e uma outra doença. tudo isso assusta um pouco a gente.

Pra piorar, não há orelhão perto daqui e só poderemos telefonar na segunda-feira.


Depois do culto, a Débora foi dormir na casada enfermeira, já que a Aline(BA) ainda não chegou. Antes de dormir, o irmão Henrique me ensinou a andar de moto (só pra ficar registrado pra daqui a 20 anos eu poder lembrar: Honda Pop 100).

Agora, estou dentro do mosquiteiro, com calça comprida e camisa de manga comprida. Diante das circunstâncias, já disse, o calor é o menor do meus problemas.

Aqui no Amapá acontecem umas chuvas quando você menos espera, mas elas passam muito rápido. Nesse momento , está chiovendo e vários insetos bem parecidos com baratas pularam para dentro da sala.



Amanhã, eu vou tentar ir a Tartarugalzinho de moto. Minha mãe comeria meu fígado se soubesse disso. Não usava mosquiteiro desde uns 6 anos de idade. Agora sei que não era só para mosquitos que ele servia.

Vou tentar dormir agora com um baita barulho de cigarra lá fora. Sabendo que isso é um lugar esquecido pelas autoridades, mas lembrado e amado por Deus.

Ps; as coisas no Amapá são os olhos da cara. Só o meu almoço hoje deu R$ 9.00 em Tartarugalzinho.













segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Entrando na agulha


Flexal, 5 de Julho de 2007


Diário de Bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Já estou fora há quase uma semana e a saudade de casa dá indícios de que vai começar a apertar.

Hoje, eu sofri um bocado de madrugada. Acordei duas vezes para coçar o meu pé e passar repelente. A mosquitada daqui castiga muito.

De manhã, a Débora bateu na porta da casa por uns 40 minutos até conseguir me acordar. Acho que é cansaço acumulado.

Eu e ela fomos conhecer a Vila. Contamos umas 70 casas e compramos 10 garrafas de água mineral no caminho.

O irmão Henrique foi embora hoje pra Macapá e só volta na segunda-feira. Mas, dexou um bilhete pra cozinheira( D. Val) e recados para mim e pra Débora.

Ele achou por bem que eu não fosse pra Tartarugalzinho de moto e achou mais seguro eu ir no carro da irª Marcelina.

Quando eu estava achando ela fosse nos levar para a cidade, ela colocou a chave do carro na minha mão. Fiquei todo bobo! Foi muito bom dirigir um Celta novinho numa rodovia. A 1ª vez, a gente nunca esquece.

Quando eu menos me dava conta, o carro já estava chegando a 120 km/h e eu nem sentia. Só reduzi um pouco porque a enfermeira tem medo de velocidade. Outra coisa que mataria a minha mãe de preocupação ( ou de inveja. Ah ah ah ).



Eu e a Débora tomamos antitetânica em Tartarugalzinho e depois, fomos fazer compras.Estávamos precisando de água, leite em caixinha, papel higiênico, frango, biscoito, sabão em pó e até pinho para lavar o banheiro.

Antes disso, fomos à casa do Pr. Jorge e conversamos com a esposa. Depois das compras, fomos ao local onde está a equipe de Tartarugalzinho. Eles acabaram nos chamando para ajudá-los para ajudá-los por lá quando o trabalho terminar por aqui.

Em seguida, passamos em Itaubal para falar com a equipe de lá e fiquei feliz ao rever o Abner(AP) e a Luciene(GO).


A Luciene nos deu uma pulseirinha co as cores que representam o plano da salvação que a equipe dela está usando. Depois, ela me ajudou a costurar a minha camisa do projeto que estava rasgada.

Chegamos em Flexal e, depois de umas 4 da tarde, começamos o censo religioso do local com a ajuda da Silmara. Mas, pegamos apenas casas de pessoas crentes e convocamos algumas crianças para a EBF. A única pessoa não crente que fomos ver não quis nos receber.
Depois, eu e Débora começamos a bolar métodos estratégicos para a EBF que será na semana que vem.


Fiquei um pouco triste, hoje. Parece que missionário passa por vários momentos de solidão. Principalmente num lugar como esse.

Mas, chega-se a conclusão de que ele sempre tem a convicção de que Deus está no controle de tudo. Isso me alegra muito. Tenho carnal materialista ultimamente e, e nesse projeto, Deus está tirando todas as minhas defesas.



Vou ficando por aqui, pensando na Flávia e no meu namoro. Na minha formatura e futuro ministério. E, nos meus pais também. Percebo que preciso chorar em cima dessas sementes para que elas venham a germinar. Só água, não serve.




domingo, 11 de novembro de 2007

Dia de salvação

Flexal, 6 de Julho de 2007

Esta foto eu tirei no dia em que estive em Tartarugalzinho. Quando eu vi essa menina e o que a cena representava, achei interessante bater. Eu chamei, ela se virou, e eu bati a foto.


Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Hoje acordamos cedo, fizemos nossas devocionais e partimos para o campo. Fui com a Silmara para um trecho e a Débora foi com o irº Francisco para outras ruas.

Fomos muito abençoados na parte da manhã e algumas almas se renderam aos pés de Jesus.

Nessas visitas, pude ver que a maioria das pessoas mora em casas de madeira, palafitas... Há muita pobreza, mas também há algumas pessoas que saem da capital para trabalharem aqui, já que pagam muito mais.


E logo de início, percebemos que quase todos estão insatisfeitos com a falta de comunicação, saneamento básico e a distância do centro de Pracuúba pra Flexal. No âmbito religioso, a maioria esmagadora é composta de católicos nominais.

Á tarde, almoçamos e eu tirei um cochilo merecido após passar boa parte da minha noite de sono coçando minha mão picada de carapanãs. Agora, ela está meio inchada e com manchas vermelhas de tanto coçar.


A enfermeira me emprestou uma pomada. Vamos ver se vai aliviar.

No fim do dia, contabilizamos 21 decisões. Ou seja, um número considerável de pessoas se converteram a Jesus e eu ganhei mais almas num dia de TRANS do que em toda a minha vida cristã.

No culto da noite, eu dei uma palestra sobre pais e filhos, mas eu fiquei pouco á vontade no assunto porque não tenho filhos. A Débora disse que gostou. Acho que as pessoas também gostaram, mas elas sempre se mostram um pouco desconectadas. Acho que os amapaenses não curtem muito o contato visual.

Agora, estou com muita vontade de ir para o centro da cidade navegar na internet e dizer o que vem acontecendo comigo.

Queria que o irº Henrique também chegasse mais cedo para que pudesse me emprestar o carro para ir pra Macapá.

Deus tem falado muito ao meu coração aqui. Acho que estou me adaptando e ficando mais humilde. Estou até aceitando favores dos outros sem reclamar. Deus quer diminuir o meu orgulho com tudo isso.