quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vida que vale a pena



Tartarugalzinho, 19 de Julho de 2007



Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Há alguns dias, o povo estava fazendo uma dieta na base do Shake da Herbalife. Acho que fui o único que não embarquei por não querer ficar dependente desse troço.

Hoje, quase ninguém continuou a dieta, como era de se esperar. O Franciel também presta serviços à Herbalife. O que não falta aqui são pílulas e Shakes.

Fizemos alguns estudos e voltamos ao Morro dos Macacos, exclusivamente para entregar uma cesta básica para Edilane e ela não estava em casa. Na verdade, ela apareceu quando estávamos saindo.

Tiramos uma foto com ela e voltamos. Tomamos sorvete, conhecemos os correios e o Conselho Tutelar da cidade.

Liguei pra Priscila e pra Florzinha. A Priscila ficou feliz com o testemunho da Edilane e me contou outra história que aconteceu lá em Santana com um homem que foi vítima de magia negra da ex-mulher e ficou cego.

O Antônio veio aqui e contou que às duas da tarde, estaria indo embora com a mãe passar as férias trabalhando com os pais fazendo farinha.

O choro do menino me emocionou, pois eu não sei que ele tem o carinho que demos a ele aqui. Só pedimos para que ele não abandonasse a igreja muito menos a Jesus, já que não estaremos mais aqui quando ele voltar.

À tarde, fiquei na igreja enchendo bexigas para a EBF com a Sara e as crianças.Fomos fazer um estudo e à noite realizamos um culto de oração.

Quando eu saí, fui com a Débora levar a Daniele em casa e fui direto ligar para a Flávia quando saímos de lá. Enquanto eu estava telefonando, a Débora pagou uma pizza pra Joyce Mara. Enquanto ela comia, eu olhei pra Débora e disse que ela tinha um grande coração, pois deixou de comer o salgado dela pra pagar a pizza pra menina.



Às dez da noite, quando estávamos( e ainda estamos) aprontando as coisas da EBF, veio uma pessoa aqui trazer a Joyce que ainda estava andando sozinha na rua. Demos arroz com carne moída pra ela comer e eu e o Franciel fomos levá-la pra casa. Ela não queria ir, pois sabia que iria apanhar. Por isso ficou demorando pra terminar de comer.

Quando chegamos na casa, ela viu o seu pai bêbado e saiu correndo. Pedimos para que seus pais não batessem nela. Ela entrou no mato...estava escuro e não tive a menor chance de encontrá-la. Dificilmente, ela voltará pra casa, hoje.

A realidade daquela família é muito triste: 9 filhos, muita pobreza, violência, uma entrega total e abandono de vida. O meu estômago não estava preparado para ver estas coisas de perto.

Ao chegarmos em casa, contamos a todos o que aconteceu. Foi quase que “um minuto de silêncio”.

Quando voltei a fazer os recortes para a EBF, observei o choro silencioso da irª Irailde por causa da pequena Joyce.

Depois das duas da manhã, não agüentava fazer mais nada pra EBF. Agora, estou deitado na rede ouvindo “Catedral” e a música preferida da Equipe: “Sabe lá...”.


ps: quase esqueci de mencionar que vimos uns nativos construindo uma canoa