quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Do chamado para o campo


Flexal, 4 de Julho de 2007



Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Finalmente, começou a parte mais crítica dessa TRANS: o período de adaptação no interior. Acabou a moleza da escola com ar-condicionado.

Depois de algumas horas de viagem, eu e Débora(MG) chegamos a Flexal. Distrito onde Deus nos designou para falar do seu amor.

Ainda bem que chegamos, pois saímos atrasados da escola e o ônibus do pessoal já estava saindo. Tivemos que correr e eu tive que implorar ao fiscal para ele segurar o ônibus.

No caminho, foi legal tirar foto de dois meninos descascando castanhas de caju. Uma cena que não se vê no Rio.




Ao descer do ônibus, eu me arranhei em algum lugar, mas não senti nada até ver o sangue saindo do meu cotovelo.

Aqui não tem enfermaria, só enfermeira. Amanhã, vou ter que ir a Tartarugalzinho tomar antitetânica por via das dúvidas. além disso, não há orelhão, nem tampouco banco. Eu não trouxe um centavo. Ou melhor, só tenho R$ 0,25 e eo que eu quiser, terei que pedir à Junta.

Amanhã, irão mandar a nossa verba pra cá. Acabei sendo escolhido como tesoureiro da equipe.

A água aqui não é tratada. Por isso, ajunta está mandando água pra todo mundo.. Alguns fungos da água daqui são até visíveis. nem fervendo dá jeito.

A casa que eu estou alojado é de madeira e fica atrás da igreja batista do Flexal. Ou melhor, é´parte dela. O lugar é complicadíssimo. Aqui há insetos que eu nunca vi na vida e o calor é o menor dos meus problemas ,agora.

Quando deu umas seis horas, eu fui um ótimo banqutee para os mosquitos, ou melhor, carapanãs. Passei repelente umas quatro vezes e eles não me deixaram em paz. A picada deles coça a beça.

Foi quando o irº Henrique, obreiro da igreja e morador da casa me emprestou uma camisa de manga comprida.

Logo mais á noite, realizamos o culto de oração. A Débora dirigiu e eu preguei. Percebi então, ser mais difícil pregara para as pessoas daqui do que se eu tivesse que pregar no maracanã. Isso porque é preciso ter um tao todo especial com as palavras. Afinal, estou no meio de uma cultura diferente e qualquer erro pode ser fatal.

Mas, os bichos continuam dando o ar de sua graça. Um filhote de sapo pulou no meu ombro e outro pra cima do meu tênis.

Essa é a parte onde eu vejo que vou depender totalmente da provisão de Deus. Em resumo, eu precisarei aprender a comer na mão dele.

Isso porque estamos na fase do medo. Medo do fato de não saber o que lhe aguarda. Medo de não saber tratar as pessoas, o medo de pegar malária e uma outra doença. tudo isso assusta um pouco a gente.

Pra piorar, não há orelhão perto daqui e só poderemos telefonar na segunda-feira.


Depois do culto, a Débora foi dormir na casada enfermeira, já que a Aline(BA) ainda não chegou. Antes de dormir, o irmão Henrique me ensinou a andar de moto (só pra ficar registrado pra daqui a 20 anos eu poder lembrar: Honda Pop 100).

Agora, estou dentro do mosquiteiro, com calça comprida e camisa de manga comprida. Diante das circunstâncias, já disse, o calor é o menor do meus problemas.

Aqui no Amapá acontecem umas chuvas quando você menos espera, mas elas passam muito rápido. Nesse momento , está chiovendo e vários insetos bem parecidos com baratas pularam para dentro da sala.



Amanhã, eu vou tentar ir a Tartarugalzinho de moto. Minha mãe comeria meu fígado se soubesse disso. Não usava mosquiteiro desde uns 6 anos de idade. Agora sei que não era só para mosquitos que ele servia.

Vou tentar dormir agora com um baita barulho de cigarra lá fora. Sabendo que isso é um lugar esquecido pelas autoridades, mas lembrado e amado por Deus.

Ps; as coisas no Amapá são os olhos da cara. Só o meu almoço hoje deu R$ 9.00 em Tartarugalzinho.