
Diário de Bordo da cruzada evangelística Salvación para Todos: Missão Bolívia II.
Dia 23 – Em Santa Cruz
Alguns fatos marcaram muito os últimos dias de Cruzada que eu acabei não registrando. Hoje é dia 18 de dezembro e só agora eu estou me importando em escrever. Tô meio preocupado, porque poderia esquecer alguma coisa com o passar dos anos.
Lembro bem do dia em que saímos de Táxi a caminho da estação de trem. Chovia à beça. Lembro que antes de eu entrar no carro, a Daniela me deu um cartãozinho, feito por ela mesma com o desenho de um cavalo. A estação de trem estava muito cheia
Lá fui revendo os meus amigos. Tirei várias fotos ali com o coração na mão, pois sabia que não iria mais rever aquelas pessoas.
A “madre” me pediu para voltar e eu não soube responder quando isso iria acontecer. Na hora de subir na plataforma, foi complicado ver o rosto de algumas crianças bolivianas chorando.
Quando entrei no trem, fiquei todo bobo porque fiquei no mesmo vagão que meus amigos estavam. Diferentemente da ida, eu não estava mais isolado. Aquilo me alegrou.
À noite, ficou marcado o encontro de amigos na lanchonete do trem, e o papo que eu tive com a Samara. Ela me deu uns conselhos legais e só hoje eu sei o quanto foram importantes. Principalmente se eu tivesse colocado todos em prática.
Dia 24 de janeiro- Puerto Quijaro- Corumbá- Campo Grande(MS)
O restante do dia de ontem foi bom, na verdade,a noite é que foi longa. Dormi e acordei várias vezes no meio da madrugada e não tive a sensação de ter dormido por horas, mas, sim, alguns minutos. Mas a verdade é que, quando acordei, já estávamos bem perto de Puerto Quijaro.
Mas,não posso esquecer de mencionar os DVDs psicodélicos que passavam de alguns cantores dentro do trem. Ver o Roberto Carlos cantando espanhol usando verde ao invés de azul foi muito engraçado. Isso sem mencionar outras figuras como um sujeito cantando “amante bandido”. Rachamos o bico.
Numa das paradas, desci pra comprar salgado e vimos o trem saindo.Deu um desespero em alguns. Foi muito divertido a gente correndo atrás do trem. E quem subia ia puxando outros pra dentro tomando cuidado pra não deixar ninguém cair.Me senti o Indiana Jones!!! Depois, fiquei todo exibido contando essa história pra todo mundo. Eu sou muito besta, mesmo. Ah ah ah.
Me despedi de algumas pessoas na estação que estavam indo direto pra casa, peguei a minha mochila e dei um último abraço na Palôva. Ao menos, eu pensava que seria o último.
Fomos até a migração dar baixa nos passaportes e lá estava os ônibus esperando pela gente para irmos para Corumbá. Na fila dos passaportes, mais despedidas.
Antes de entrar no ônibus, conversei com a Luciana sobre o projeto Radical África e ela comentou sobre um amigo dela que participou do projeto.
Quando o ônibus passou pela Fronteira Bolívia- Brasil, eu abri o envelope do Pr. Euler e da irmã Helena. Não posso dizer o que era, mas significou muito pra mim. Muito mesmo!
O ônibus parou na escola e eu tomei um banho..um banho que lavou a minha alma. Senti-me um novo homem. Quando saí da escola com as minhas coisas, vi os baianos ainda não haviam saído e conversei com o grupo Eloín sobre algumas coisas que me incomodaram no meio do projeto e pedi perdão a eles pelo meu sentimento. Resolvi alguns mal entendidos com eles. Foi muito bom...vimos a ação do Senhor em tudo aquilo. Se o ônibus deles já tivesse partido, eu não teria tido a oportunidade de conversar com eles. Mas, Deus é maravilhoso e não nos deixou irmos pra casa com essa brecha.
Quando vi o ônibus dos baianos parado ali e só esperando os últimos subirem para partir, eu aproveitei e entrei lá para falar com algumas, pessoas. Encontrei Palôva e Manôa. Dei um abraço nelas, um alô no restante do pessoal e falei com a Vanessa também.
A sensação foi muito gostosa. Desci do ônibus em paz. Totalmente em paz com Deus e comigo mesmo.
Dentro do ônibus na volta, o momento mais marcante pra mim. Fizemos aquele mesmo momento de contar experiências. Cada um falou da sua. O Pr. Victor Pizarro estava com a esposa a caminho do Brasil para a lua-de-mel deles. Contou sobre o seu testemunho durante o seminário, que não tinha dinheiro para pagar a mensalidade dos trimestres, mas encarou assim mesmo. Disse que sua mãe reclamava da maneira que ele vivia, mas ele estava certo do seu chamado e o dinheiro sempre aparecia para pagar a mensalidade. Ele estava no meio do ônibus em pé e eu, sentado ao lado da Tatyane ouvindo aquilo. Pensei no quanto eu preciso aprender a depender de Deus e que depender dele vale a pena e eu chorei muito como há muito tempo não chorava.
Se eu não tivesse escrito estas linhas, o meu Diário de Bordo da Bolívia ficaria incompleto. Nestes últimos meses, como eu senti na pele o que é depender de Deus e aprender a viver um dia de cada vez!

