segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Crente Kid

Rio de Janeiro, 15 de Novembro de 2010


Acordei às sete da manhã bem cansado, na verdade, pois havia ido pra cama às 3 da madrugada procurando as músicas do Kids Games e o juramento. Para este último,foi inútil. Não consegui encontrá-lo.


Antes de tomar banho olhei o tempo nublado pela janela e fiquei com um medo muito grande de chover e ter que cancelar a programação.


Cheguei no local, peguei a chave da igreja e fui varrer a quadra. Alguns minutos depois, senti um chuvisco no meu ombro. O meu medo aumentara. Tive o prazer em tomar o café oferecido pelo irmão Geraldo e depois fui comer pão na casa do Nil, que havia me chamado.


Cheguei no local sabendo das coisas que ainda faltavam e tive uma grande ajuda da irmã Malena nesse sentido. Mandei comprar fita adesiva, arranjar os lençóis e terminei a marcação do jogos na quadra.


Lá pelas 10 horas, o irmão Antônio e o Orlando vieram me perguntar: “Irmão Wagner, pode ligar o som?” Depois daqueles chuviscos, eu tinha tudo para dizer não, mas resolvi tomar uma atitude de fé e disse sim. Não tenho autoridade para dizer que foi por conta disso, mas Deus honrou o nosso dia.


Eu e mais 3 irmãs nos dividimos pela comunidade para distribuir os convites e eu entendia que aquele momento era a espinha dorsal do trabalho, uma vez que uma divulgação ruim poderia arruinar qualquer expectativa de um bom número de crianças, pois a aparência do céu já não ajudava no marketing. Ehehehhe .


Ao menos, a minha lógica humana pensava desse modo.


Fiquei incomodado com a falta da bola para o “vôlei com lençol” e saí de bicicleta por vários lugares procurando um armarinho aberto. Quando percebi que não iria encontrar, resolvi comprar duas bolas pequenas em lugar de uma grande e voltei pra almoçar.


O pastor da igreja chegou bem perto do horário de começar as inscrições da molecada. Já havia uma fila e conversei com ele sobre algumas dificuldades. O negócio era chorar pra cima, mesmo.


Depois disto, Deus me forneceu algumas das horas mais realizadoras da minha vida. Como eu gosto de trabalhar com a molecada! Pude fazer todas as aplicações bíblicas para elas. Senti-me muito feliz . Quando tudo começou a acontecer, esqueci-me de todas as minhas mazelas , que poderiam ser capazes de não me permitir curtir aquele momento...afinal, lá estava eu, evangelizando aquela turminha. Tratando-as com todo o carinho que talvez eu possa ser capaz de dar. Imitar a Jesus é, de fato, compensador.


Em alguns momentos, brinquei com elas, pude ser o homem que eu mais amo ser e gostaria de ver em ação com mais freqüência. Pude avaliar também, o meu comportamento em relação às pessoas que me ajudaram, lá. Liderar alguma coisa é sempre algo que nos leva a olhar com mais clareza para quem nós somos. Assustador, mas, necessário.


Nas minhas expectativas mais otimistas, eu esperava 80 crianças dentro daquela quadra, hoje. Mas, como não era eu que iria levá-las ao local, mas sim, Deus, minha lógica humana foi pro brejo de novo e recebemos 150 crianças.


O primeiro Kids Games como coordenador, a gente nunca esquece.



quinta-feira, 25 de março de 2010

Solidão, que tudo

Rio de Janeiro, 25 de Março de 2010



Muitas coisas contribuem para o agravamento das crises de meia-idade, e acredito que, mais do que qualquer outra coisa não realizada na vida antes dos 30, o fato de estar ainda sozinho seja o maior dos agravantes.


No último carnaval, eu passei três dias com a juventude da minha igreja em um salão de festas. A ocasião foi muito gostosa e eu realmente precisava descansar. Era pouca gente: cerca de 33 jovens, mas, não consegui deixar de contabilizar o número de casais que lá estavam presentes: 10. Isso mesmo, dez.


Curiosamente, quando você se sente só é quando mais se tem a impressão de que todo mundo vive a dois e só você conseguiu o feito de chegar a essa idade, solteiro.

Às vezes, penso no quanto esses meus sentimentos podem estar sendo influenciados por um desejo inconsciente de dar uma satisfação à sociedade: mas, não é: É solidão, mesmo! Pricipalmente quando você morre de vontade de ter alguém participando da sua vida com um desejo genuíno de realizar sonhos ao seu lado.

Hoje, com quase 30 anos de idade, me dei conta de que todos os meus namoros fracassaram. De algum modo, não houve cupado ou culpada. Só não era o casal certo. Isso, a priori, deveria me tranquilizar e me levar a entender que a pessoa simplesmente não apareceu. Mas, não tranquiliza, porque estou convencido que não fui o companheiro que minhas ex-namoradas precisavam ter naquele momento.

Até hoje, muita gente me diz que eu sou o genro que toda mãe sonha em ter. Isso sempre me foi muito lisonjeiro, mas de que adianta? Eu não vou me casar com sogra!


Em certos momentos, me pego me perguntando se as pessoas bem sucedidas na vida a dois foram grandes vencedores de uma loteria de combinação de gênios, ou ainda, pessoas emocionalmente bem resolvidas e merecedoras da sua costela perdida. Mas, felizmente, minha fé em Deus e na preocupação que ele tem com a minha felicidade me impedem de acreditar nisso.

Tento não olhar para a vida dos outros, até mesmo porque o casamento não é um contrato que oferece garantia felicidade ao signatário. Tento não olhar para as crianças e adolescentes que eu conheci me dando convites com todo o carinho para as suas bodas.


Quando a Bíblia fala sobre a criação, é interessante observar que tudo era casal e só o besta do Adão ainda estava lá sozinho. Então, o criador disse: "Não é bom que o homem fique só..." Mas, como essas palavras são verdadeiras, até mesmo para quem se intitula ateu ou agnóstico!


Vou seguindo minha vida tentando não prestar atenção nas moças que vejo como interessantes para mim na rua ou na igreja, porque sei que encontrarei uma aliança na mão esquerda dela se eu for olhar.


Mas, minha fé também não me permite continuar pensando assim.


Eu nunca gostei de Funk, mas nessa, Claudinho e Buchecha acertaram na mosca: ..."e não existe nada igualado no país, nem o ouro nem a prata fazem o homem mais feliz."


Quero registrar esse momento da minha vida torcendo para que possa rir deste texto algum dia.