sábado, 29 de setembro de 2007

Dia de sustos



Tartarugalzinho, 16 de Julho de 2007


Diário de bordo do projeto Missionário TRANS Amapá:

Dia de Folga


Acordei com o pique da irª Irailde chamando todo mundo. Planejamos nadar no rio e comer peixe.

Logo cedo, e já estava um pouco triste com a saudade de casa e com aquela estranha sensação de que saí de casa ontem e não há 17 dias, porcausa da reação de alguns.

Fui na casa do Pr. Jorge e as crianças perceberam que eu estava triste. Isso não foi bom.

O dia foi meio tenebroso pra mim a começar do momento em que eu entrei no rio. Nadei 100m e depois me senti, tonto, trêmulo e enjoado. Deitei no chão pra me sentir melhor. Quando fiquei melhorzinho, saí do rio e encontrei o Júnior e a Débora procurando internet.

(Antes deles aparecerem, sentei no banquinho em frente à paróquia da cidade com a Florzinha e disse a ela como estava me sentindo solitário e esquecido naquele lugar).

Então, os caçadores da Web perdida foram à Câmara Municipal, a duas escolas públicas e até ao Fórum. Pedíamos na maior cara de pau, mas não conseguimos nos dar bem.

Depois de tentarmos acessar, sem sucesso numa escola municipal aqui perto, voltamos para o rio para comer peixe e carne na brasa. O peixe estava delicioso. Mergulhado no sal e no limão, então...( só de lembrar dá água na boca...).
A carne estava um pouco dura, mas gostosa. Só não consegui engolir o Açaí do Norte. Sem açúcar, não rola. Fiquei de queixo caído ao ver a Rebequinha ( filha do pastor) acabar com uma tigela inteirinha daquilo. ECA!

Jogamos vôlei com o pessoal daqui e não vencemos nenhuma. Nem eu, nem o Júnior nem o Franciel demos conta.

Eu e o Júnior saímos do rio à procura de internet e enfrentamos até chuva. Ê vício!!! No meio dessa busca, achamos o Projeto Rondon e vimos um porco bem diferente no meio do caminho, mas nada de “www”.

Em seguida, voltei pra casa e discuti com o Franciel sobre as finanças e recibos. Eu acabei me excedendo e ficou um clima chato.

Á noite,tivemos uma reunião e discutimos algumas coisas e eu pude expressar as razões da minha irritação. E que eu estava me sentindo solitário. Deus ajudou a esclarecer tudo.

Tudo isso foi depois de eu ter sido picado por um mosquito que eu não conheço. Fiquei preocupado porque a ferroada foi muito dolorosa. Marimbondo nenhum teria essa força. Doeu pacas.
Aí, eu fui com o Júnior no posto de saúde e levei o mosquito cretino para o pessoal me dizer que bicho era aquele e não me disseram que a picada dele faria algum mal. E não fez.


Quando acabou a reunião, eu fui ligar para a Flávia e vi um menino cair de bicicleta. Ele não podia falar e estava com dificuldades para respirar. Chamamos um carro e ele foi levado para o hospital. Depois, eu fui lá saber como ele estava mas, o médico ainda não havia chegado.

Aí, sim, liguei pra Flávia e ela ficou feliz com as notícias. Ela está com saudades, também.
Em seguida liguei pra Tatiane( Niterói) e falei sobre o projeto pra ela.

Fui comer um hambúrguer com suco de maracujá e voltei pra casa.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Conhecendo a turminha



Tartarugalzinho, 17 de Julho de 2007 ,



Diário de bordo do projeto Missionário TRANS Amapá;


Fomos fazer alguns recenseamentos pela manhã e depois eu me preocupei e ir ao hospital saber como o menino estava. Ele já teve alta, com a Graça de Deus.

Tomei um picolé de Açaí com a Débora e depois lavei o piso da casa com o Franciel
(ouvindo e cantando Grupo Logos).

À uma da tarde, consegui finalmente ligar para a Priscila lá em Santana. Ela ficou feliz, mas está chateada com a situação espiritual do local. Está passando por dificuldades pela falta de recursos da equipe dela.



Depois do almoço, fomos ver o Seu Francisco, que foi atropelado e quebrou a bacia. Ele está usando fraldão e está precisando da nossa ajuda. A família não tem outra renda.

Esse tipo de coisa me enriquece muito. Percebo o quanto os meus problemas são pequenos e o quanto eu devia agradecer a Deus e não reclamar.

Fizemos um estudo na casa da irª Socorro e ela se mostrou genuinamente convertida a Cristo. Legal também foi conhecer seus nove filhos. Tiramos umas 40 fotos com eles e ficavam doidinhos pra ver.




Isso sem falar nas outras crianças que eu conheci hoje. O pequeno Kal-El e sua irmã Vitória são muito doces e se apagaram bastante a nós.

Na verdade, a maioria delas se apegou muito à gente. E muito depressa: num instante, já estão nos abraçando e beijando. A igreja é constituída por 90% de crianças.


Já estou até vendo a choradeira na hora de irmos embora daqui no dia 27.

Realizamos um culto de oração muito bom e animado. Quando acabou, fui ligar para a Flávia.

Ela estava morta de cansaço e eu contei tudo sobre as crianças. Só esqueci de mencionar o pequeno Kal-El.

Liguei também para a carlinha, para o Arlei e para a Aline depois de tomar um refrigerante com o pessoal: Eu ,a Flor, o Franciel, a Inês e Irailde.


Ps; Lavei muitas camisas e coloquei o meu tênis de molho.

Ps2: Enquanto o pessoal escutava “Catedral”, conversei muitas coisas com a Florzinha. Foi um bate-papo bem gostoso.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Uma alma por um triz


Tartarugalzinho, 18 de julho de 2007


Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Levantamos lá pelas sete horas da manhã, tomamos café e fomos fazer mais alguns recenseamentos. Hoje, eu fui com a Florzinha e o Franciel foi com a Débora.

Depois, nós seis(mais Irailde e Inês) nos reunimos e fomos para o Morro dos Macacos. Deus tinha algo grandioso para fazer lá e não sabíamos.

Vimos uma parte ainda mais pobre do município quando achávamos que já tínhamos visto de tudo. É um lugar totalmente largado pelas autoridades.

Fomos para a parte mais perigosa do morro e a Sara ia nos orientando. Distribuímos muitos folhetos e convidamos várias crianças para a EBF.




Até que num dado momento, o Franciel sentiu o desejo de subir até um casa bem em cima e destacada para falar de Jesus para uma moça que estava sozinha em casa.
Deus nos levou para lá na hora certa: Ela estava planejando cometer suicídio. Tinha dois filhos, estava sobrecarregada com os problemas e queria dar cabo de sua vida.

No final, ela aceitou Jesus e abriu um belo sorriso. Só ele é capaz de fazer estas coisas.

Quando voltamos, compramos Açaí no meio do caminho e tomamos depois do almoço.(diga-se de passagem, o mais gostoso que eu já comi desde que cheguei no Amapá).



Desta vez, e coloquei açúcar e consegui tomar o Açaí. Ficou ainda melhor com farinha de Tapioca. No entanto, paguei o preço por ter tomado dois copos.


Deu uma lombeira violenta! Fui pra rede, mas depois que o povo me chamou( me acordou) para as atividades da tarde, eu não aguentava ficar de pé. Quando disseram que o Açaí do Norte dava moleza, não dei muito crédito. Era pra ter dado...

(Estou levando algumas sementes de recordação)

Esta última foto mostra o momento em que o Franciel chegou na casa da Edilane, quando ela estava planejando cometer suicídio.

A Florzinha já partiu pra Macapá para comprar o material da EBF. Deixou o telefone dela aqui, mas não vai adiantar nada, já que a chuva de hoje acabou com todos os orelhões. Se precisarmos de mais alguma coisa de última hora, já era.

Fomos à casa do Seu Antônio, que é casado há 40 anos e sua esposa está paralisada numa rede. Preguei no texto de I Coríntios 13. A Dona Maria se emociona com facilidade, mas Deus tem dado forças a ela. O seu Antônio também é muito paciente e cuida bem da esposa.


Fui com Miriam fazer um estudo e depois deu a hora de se preparar para o culto de oração. Vieram tantas crianças que precisamos dividir.

No final, algumas vieram me abraçar. Fico pensando no quanto essa turminha precisa de referenciais. Somos quase que super-heróis pra eles.

Entristeço-me ao saber que muitas delas sofrem abusos físicos e sexuais e o que elas mais precisam é conhecer adultos que possam servir de exemplos para elas.


Esses pequeninos, porém, têm recebido a mensagem de Cristo. O único herói que estará para sempre na vida e no coração deles.


Ps: Conhecemos dois jovens do projeto Rondon e nos confraternizamos. Na verdade, temos objetivos em comum. Eles querem promover o desenvolvimento para melhorara vida dessas pessoas e nós, promover o crescimento do Reino de Deus na terra, trabalnado na área espiritual.


Ps 2: Foi legal quando capinamos lá na casa da Teresa. Veja o vídeo.






Ps 3: Também foi legal ver o Açaí sendo feito na hora



quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vida que vale a pena



Tartarugalzinho, 19 de Julho de 2007



Diário de bordo do projeto missionário TRANS Amapá;

Há alguns dias, o povo estava fazendo uma dieta na base do Shake da Herbalife. Acho que fui o único que não embarquei por não querer ficar dependente desse troço.

Hoje, quase ninguém continuou a dieta, como era de se esperar. O Franciel também presta serviços à Herbalife. O que não falta aqui são pílulas e Shakes.

Fizemos alguns estudos e voltamos ao Morro dos Macacos, exclusivamente para entregar uma cesta básica para Edilane e ela não estava em casa. Na verdade, ela apareceu quando estávamos saindo.

Tiramos uma foto com ela e voltamos. Tomamos sorvete, conhecemos os correios e o Conselho Tutelar da cidade.

Liguei pra Priscila e pra Florzinha. A Priscila ficou feliz com o testemunho da Edilane e me contou outra história que aconteceu lá em Santana com um homem que foi vítima de magia negra da ex-mulher e ficou cego.

O Antônio veio aqui e contou que às duas da tarde, estaria indo embora com a mãe passar as férias trabalhando com os pais fazendo farinha.

O choro do menino me emocionou, pois eu não sei que ele tem o carinho que demos a ele aqui. Só pedimos para que ele não abandonasse a igreja muito menos a Jesus, já que não estaremos mais aqui quando ele voltar.

À tarde, fiquei na igreja enchendo bexigas para a EBF com a Sara e as crianças.Fomos fazer um estudo e à noite realizamos um culto de oração.

Quando eu saí, fui com a Débora levar a Daniele em casa e fui direto ligar para a Flávia quando saímos de lá. Enquanto eu estava telefonando, a Débora pagou uma pizza pra Joyce Mara. Enquanto ela comia, eu olhei pra Débora e disse que ela tinha um grande coração, pois deixou de comer o salgado dela pra pagar a pizza pra menina.



Às dez da noite, quando estávamos( e ainda estamos) aprontando as coisas da EBF, veio uma pessoa aqui trazer a Joyce que ainda estava andando sozinha na rua. Demos arroz com carne moída pra ela comer e eu e o Franciel fomos levá-la pra casa. Ela não queria ir, pois sabia que iria apanhar. Por isso ficou demorando pra terminar de comer.

Quando chegamos na casa, ela viu o seu pai bêbado e saiu correndo. Pedimos para que seus pais não batessem nela. Ela entrou no mato...estava escuro e não tive a menor chance de encontrá-la. Dificilmente, ela voltará pra casa, hoje.

A realidade daquela família é muito triste: 9 filhos, muita pobreza, violência, uma entrega total e abandono de vida. O meu estômago não estava preparado para ver estas coisas de perto.

Ao chegarmos em casa, contamos a todos o que aconteceu. Foi quase que “um minuto de silêncio”.

Quando voltei a fazer os recortes para a EBF, observei o choro silencioso da irª Irailde por causa da pequena Joyce.

Depois das duas da manhã, não agüentava fazer mais nada pra EBF. Agora, estou deitado na rede ouvindo “Catedral” e a música preferida da Equipe: “Sabe lá...”.


ps: quase esqueci de mencionar que vimos uns nativos construindo uma canoa












sábado, 1 de setembro de 2007

Um gostoso choque cultural


Tartarugalzinho, 20 de julho de 2007



Diário de bordo do projeto Missionário TRANS Amapá;

Acordei umas seis e meia, fui comprar pão para o pessoal e tomamos café. Compramos o gelo e levamos para a igreja o material do painel da EBF.

As crianças foram chegando aos poucos e todas elas receberam coroinhas com as letras EBF. Inclusive eu. O trabalho foi muito abençoado e dividimos duas classes para contar a história do nascimento de Jesus. Eu fiquei com 31 crianças entre 10 e 12 anos.No total, 108 crianças participaram hoje.




Fiz uma brincadeira de corrida e salto em distância. Improvisei uns bastões e fiz “revezamento 4X100” com as meninas. Elas gostaram.

Depois, todos tomaram do sopão e foram embora.


A Carol (MG) chegou de moto lá do Breu e descarregou as fotos dela no lap top do Franciel. Foi embora pouco depois da EBF acabar. Mas, eu fiquei assombrado dela ter lembrado do meu nome. O contato que eu tive com ela no treinamento foi mínimo...só lembrava do rosto dela.

A Florzinha devolveu o meu cartão e me deu o meu dinheiro. Na verdade, ainda não estou acreditando que dei a senha do meu banco pra alguém. Acho que estou ficando velho e amolecido.

(Confiar nas pessoas nessa área é coisa rara na minha vida. Acho que Deus está fazendo mais mudanças no meu coração do que eu imaginava).


A turma deitou na rede depois do almoço e eu fui ligar pra minha mãe e pra D. Dalva. A Dona Sheila pareceu-me estar com saudades do filho.

Depois de conversar com a irª Inês, que trabalha no Conselho Tutelar, sobre as barbaridades que ela costuma ver os pais fazendo com os filhos, entre outros assuntos, às 14:30, todos dormimos.

O engraçado aqui é o jeito que cada um dorme. Sinto-me num verdadeiro Big Brother, aqui.

Mas, surpreendentemente, isso não me incomoda tanto quanto me incomodaria em circunstâncias normais. A privacidade é uma coisa que “não me pertence mais”, aqui.
Como dizem as irmãs, brincando. Ah ah ah.

Privacidade, água gelada, ar condicionado, internet, roupa lavada pela mamãe...
“Isso não me pertence mais!!!”

Fui fazer um estudo com a Sara e depois a MCA de reuniu aqui. Durante a reunião, eu picava E.V.A com a Flor para a EBF.

Liguei para a Flávia e contei o que Deus tem feito na minha vida aqui.Liguei para a Luciana e tive uma conversa muito boa, também.

Voltei para casa e levei as meninas para a praça para ver a quadrilha da cidade. Foi um momento cultural fascinante e o Projeto Rondon estava lá.

As fotos falam por si mesmas.

Legal também foi ver os gaúchos do Projeto Rondon dançando. Foi um choque legal de culturas.