domingo, 29 de outubro de 2017

Vale do Ribeira - O retorno

São Paulo, 27 de Outubro de 2017

Diário de Bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira - São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.


Saber que Deus ainda me permite essas experiências me traz uma sensação inigualável. Aqui estou eu de novo seguindo para falar de Cristo na região mais pobre do Estado.

Passei na faculdade para entregar o meu último trabalho de Atividades Complementares e também assisti um pouco da palestra de um refugiado sírio que está no Brasil há alguns anos. Deixei o trabalho com a professora Camila e ganhei carona do professor Justino até o ponto de encontro da equipe missionária.

Neste momento já estou dentro do ônibus. Com a cabeça cheia daqueles antigos pensamentos e com a alegria costumeira que se repete como se cada vez fosse a primeira.

Estou tão feliz que nem me deixei afetar com o fato dos meus amigos estarem hoje curtindo a estréia de Stranger Things na Netflix e eu não.

Tenho sempre muitas dúvidas mas entre as tantas certezas é que o Criador irá utilizar esta nova empreitada para me tratar em áreas novas e também velhas. Como sempre faz. A Ele seja a Glória.


Eis-me aqui. De novo.



Ribeirão Branco, 28 de Outubro de 2017

Diário de bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira, São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.

Por volta das 2h da manhã o ônibus parou em Itapetininga e eu já estava decidido a não descer. Eu sabia que se o fizesse iria comer uma coxinha, tomar um Toddynho e me sentir tentado a tomar um café preto depois. Todas essas coisas teriam arruinado a minha noite e o meu planejamento inicial de dormir toda a viagem para ter energia durante o dia.

(E também, é claro, para poupar as pessoas do dissabor de testemunhar o meu mau humor quando sou privado de sono).

Tudo funcionou maravilhosamente bem e chegamos por volta das 5h30 no Vale do Ribeira. Tomamos café, tivemos uma reunião e fomos divididos em equipes: a mim me coube ir com o pessoal para o distrito de Campina de Fora em Ribeirão Branco.

No caminho sentei na frente da van e, durante 30km tive a experiência interessante de ser apresentado pela primeira vez a algumas canções que os rumos da minha vida me permitiam evitar...até hoje.

Wagner... Mayara....Mayara...Wagner...
Wagner...Marahysa.... Marahysa... Wagner...Prazer.

Ao chegarmos na região fomos separados em 3 grupos ainda menores e fomos fazer visitas. Nas duas casas que fui conheci pessoas especialíssimas que muito me ensinaram. Ouvi histórias impressionantes que guardarei em meu coração. Oramos como eles, falamos da Palavra de Deus e, claro, tomamos bastante café.

Amo um cafezinho, tomei com muito gosto mas meu jeito sistemático de ser não me permitia parar de me preocupar com a quebra do almoço. Mesmo a cultura da região apreciar um café menos concentrado eu não queria perder a fome. Mas são pequenas coisas que só mesmo o nosso lado mais fútil dá importância. O prazer de estar no campo missionário te faz largar de mão.

A despeito desses receios sem sentido, o almoço teve um sabor todo especial que minha fome fez questão de aumentar  exponencialmente a capacidade de percepção.

Durante o intervalo tivemos um tempo muito agradável e não programado de louvor a Deus. Foi ótimo.

À tarde fomos à escola promover um trabalho com as crianças e levamos doces, incluindo maçã do amor que foi um verdadeiro sucesso.

Ensinei a canção "Jalow" em dialeto africano para elas no momento que as as irmãs ensinavam músicas cristãs para elas. Foi muito bom.

Essa experiência foi marcante pelo que pude observar em algumas crianças. Bastando apenas um olhar mais atento para perceber as demandas e mazelas de algumas. Sei que Deus está interessado no bem e na felicidade delas e ainda há esperança para algumas prisões que algumas vivem.


Voltamos para a igreja às 17h e fomos tomar café da tarde.

Confesso que a essa altura do campeonato a minha aflição por estar há 24 horas sem tomar banho já começava a me corroer por dentro.

Realizamos o culto às 19h30 e foi uma benção. Tive a alegria de pregar sob o tema: "Fugindo de Deus" no texto de Jonas e dois homens se reconciliaram com Cristo. A Deus seja a glória.

Voltamos para Apiaí e jantamos na igreja de Araçaí e tivemos uma reunião de avaliação. Em certos momentos eu não conseguia conter a minha aflição: já se contavam 30 horas sem conseguir tomar banho.

Entendo que isso é um tratamento de Deus na minha vida. Para algumas pessoas ficar sem banho é um presente mas pra mim é uma prova. Sempre me pergunto: "Por que comigo, então, Deus?'
Mas se o Senhor quis assim a mim me cabe aceitar.

Apiaí, 29 de Outubro de 2017

Diário de bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.

Acordei por volta das 6h30, exatamente como eu havia pedido a Deus antes de cair no primeiro estágio do sono. Queria levantar antes de todos os homens para refletir no sermão do culto da manhã e também para escovar os dentes e me arrumar sem enfrentar fila.

Tomamos café, alguns saíram para as últimas visitas e outros ficaram para organizar as coisas como a programação do culto. Tudo correu maravilhosamente bem, Deus falou e foi agradável. Saímos todos muito satisfeitos com tamanho cuidado do Senhor.

O culto foi rápido e terminou em menos de 1h15. Preguei sob o tema "Caindo na real" usando o texto de Marcos 3.31-35.

Em tempo: engoli um mosquito no meio da mensagem e estou até agora tentando decifrar que tipo de recado ou ironia Deus estava tentando me transmitir.

Agora, 13h03 já estou em viagem de volta, processando tudo o que aconteceu. É impressionante como é possível viver um fim de semana com a intensidade de uns 10 dias inteiros. Só mesmo Deus é capaz disso. Às vezes passo meses sem receber tantos recados de Deus, ou melhor, sem me dispor a abrir ouvidos humildes e quebrantados para Ele.

Mais uma missão cumprida. A Jesus de Nazaré seja a Glória.

domingo, 28 de maio de 2017

Leva-me ao Vale, se for preciso

São Paulo, 26 de Maio de 2017











Diário de Bordo da Operação Missionária em Alto Vale do Ribeira - SP, da MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.


Minha cabeça estava muito repleta de coisas antes desta viagem missionária. Depois de tanto tempo sem me envolver em uma, confesso que me sentia despreparado para o desafio.


Além disso eu tinha uma prova de Legislação e Câmbio na faculdade e precisava arranjar tempo para uma falar com a orientadora do meu TCC. Tudo isso depois de um dia puxado fazendo as malas, a barba, escrevendo um trabalho e, claro, absorto em pensamentos.

Dividido entre o medo e a euforia, lá fui eu para a igreja Nova Vida de Vila Mariana.  Lá conheci o pastor Marcelo, organizador do projeto e líder desta missão. Nesta conversa, descobri que estava a caminho da região com um dos menores números de IDH do Brasil.

Quando o ônibus chegou, o carregamos com as doações para a região. Eram muitas coisas entre roupas, alimentos e literatura.

Oramos antes de sair , tomei meu Dramin, entrei no ônibus, falei com alguns amigos no whatsapp e apaguei.


Itaoca, 27 de Maio de 2017







Diário de Bordo da Operação Missionária Alto Vale do Ribeira da agência MCC - Missionários Cristãos Cooperadores;






Às 2h da manhã tivemos uma parada na cidade de Itapetininga, onde pude comer depois de várias horas de jejum não planejado. 

Voltamos rápido para o ônibus e consegui domir um pouco depois, mas às 3h da manhã fui acordado com as curvas abruptas do ônibus. Confesso que nunca estive dentro de um ônibus em tal velocidade nem tampouco passado por tantas curvas sinuosas em um montrengo daqueles. Sem mencionar a cerração. Nada se via do lado de fora da janela. Foi simplesmente apavorante. Mil vezes pior do que o sentimento que bate no meio de uma turbulência em um avião.

Enquanto isso, a senhora sentada ao meu lado fazia uma oração a Deus em voz alta.

Às 5h deixamos uma das equipes na cidade de Ribeira e seguimos viagem até chegarmos na cidade de Itaoca, às 5h50.

Descarregamos as doações, tomamos café e tivemos a primeira reunião. Depois fomos divididos em equipes e saímos para o evangelismo na cidade.

Algumas casas foram muito receptivas e nos atenderam de bom grado. Fizemos orações, lemos a Palavra com muitos deles e cantávamos com todos os que nos permitiam.

Senti a presença de Deus, senti-me realizado em estar em mais uma empreitada missionária. Desde que fui a Itaipé em 2013 e dei aulas de Teatro para a igreja nunca mais havia encarado outro desafio. Mais do que isso: tentei ir em muitas viagens mas Deus não me permitiu ir em mais nenhuma neste tempo. Tirando meu mês de férias no Maranhão em 2015 onde pude ajudar a missão, é claro. Mas foram mais férias para descanso do que missões propriamente ditas.

Pouco antes das 12h fomos almoçar. Todos reclamavam de fome ou sono incontrolável, enquanto eu só conseguia pensar na hora em que eu iria conseguir tomar banho. Cada um com suas angústias.

Depois o Pr. Marcelo chamou todos os pastores e mais um menino da Bola de Neve para irmos à divisa de São Paulo com o Paraná, onde fizemos um passeio de balsa. Foi agradável.

No caminho, ele nos contara os detalhes do grande desastre de 2014 na cidade, quando um deslizamento matou mais de 70 pessoas e arruinou mais de 120 casas, aqui.

Quando todos já estavam descansados do almoço e o intervalo acabou eu fui para a escola ajudar na programação: Promovemos uma palestra de prevenção às drogas para os adolescentes e em seguida interagi com os alunos. Era dia do Projeto Escola da Família e havia muitas brincadeiras.

Às 17h00 consegui o que eu tanto queria: Não senti o menor peso na consciência ao sair à francesa na frente de todo mundo para evitar aborrecimentos desnecessários e tomei banho! Aquilo estava me matando. Até parece que eu iria aguentar uma fila quilomêtrica de marmanjos para tirar aquela aura de sujeira de viagem que ainda me acompanhava.


À noite tivemos um culto maravilhoso e Deus falou muito ao meu coração. Além disso foi ótimo ver tanta gente de Deus e talentosa num mesmo lugar. Sinto-me sinceramente honrado por trabalhar ao lado delas.




Itaoca, 28 de maio de 2017



Diário de Bordo da Operação Missionária Alto Vale do Ribeira - SP,  da agência MCC - Missionários Cristãos Cooperadores;



Acordei às 6h da manhã com os galos cantando. O horário marcado era 7h30, mas como nem os galos e nem os homens mais madrugadores iriam me deixar mais dormir, então levantei.

Tomei café e fui até o rio para ajudar nos preparativos para o batismo e a ceia do Senhor. Organizamos as coisas que faltavam.

Foi um momento lindo que pudemos testemunhar. Batizamos 3 novos convertidos e quase 100 pessoas estavam presentes às margens do rio. Servimos a Ceia e todos os pastores participaram. A mim me coube servir o elementos. Algo que fiz com alegria. O serviço ao Senhor me entusiasma. Do mais simples e humilde ao mais destacado. 

É muito bom estar de volta no campo! Só Deus sabe o quanto.

Neste exato momento, 12h40 estou dentro do ônibus. Feliz pela missão cumprida e por ter conhecido tanta gente boa. 

Nestes projetos, sempre embarco com a garantia de que Deus me dará recados muito claros e compreensiveis durante a viagem e desta vez não foi diferente.

Ontem quando registrei o episódio das curvas assustadoras que o ônibus fazia durante a vinda, a história pareceu apenas engraçada ou uma boa aventura para se contar para os netos mas eu sei que aquele foi o momento do maior recado de Deus para a minha vida nesta missão. Ali eu vi que o projeto já havia começado de fato.

Tudo o mais que se seguiu: as pessoas que conheci, as histórias que ouvi, os lugares que pisei e as pregações me trouxeram a mesma mensagem central do Senhor que para mim ficou quase tão audível quanto o som da voz de qualquer pessoa:

"Você não está no controle da sua vida. O Senhor sou eu".