
Diário de Bordo da Operação Missionária em Alto Vale do Ribeira - SP, da MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.
Minha cabeça estava muito repleta de coisas antes desta viagem missionária. Depois de tanto tempo sem me envolver em uma, confesso que me sentia despreparado para o desafio.
Além disso eu tinha uma prova de Legislação e Câmbio na faculdade e precisava arranjar tempo para uma falar com a orientadora do meu TCC. Tudo isso depois de um dia puxado fazendo as malas, a barba, escrevendo um trabalho e, claro, absorto em pensamentos.
Dividido entre o medo e a euforia, lá fui eu para a igreja Nova Vida de Vila Mariana. Lá conheci o pastor Marcelo, organizador do projeto e líder desta missão. Nesta conversa, descobri que estava a caminho da região com um dos menores números de IDH do Brasil.
Quando o ônibus chegou, o carregamos com as doações para a região. Eram muitas coisas entre roupas, alimentos e literatura.
Oramos antes de sair , tomei meu Dramin, entrei no ônibus, falei com alguns amigos no whatsapp e apaguei.
Itaoca, 27 de Maio de 2017
Diário de Bordo da Operação Missionária Alto Vale do Ribeira da agência MCC - Missionários Cristãos Cooperadores;
Às 2h da manhã tivemos uma parada na cidade de Itapetininga, onde pude comer depois de várias horas de jejum não planejado.
Voltamos rápido para o ônibus e consegui domir um pouco depois, mas às 3h da manhã fui acordado com as curvas abruptas do ônibus. Confesso que nunca estive dentro de um ônibus em tal velocidade nem tampouco passado por tantas curvas sinuosas em um montrengo daqueles. Sem mencionar a cerração. Nada se via do lado de fora da janela. Foi simplesmente apavorante. Mil vezes pior do que o sentimento que bate no meio de uma turbulência em um avião.
Enquanto isso, a senhora sentada ao meu lado fazia uma oração a Deus em voz alta.
Às 5h deixamos uma das equipes na cidade de Ribeira e seguimos viagem até chegarmos na cidade de Itaoca, às 5h50.
Descarregamos as doações, tomamos café e tivemos a primeira reunião. Depois fomos divididos em equipes e saímos para o evangelismo na cidade.
Algumas casas foram muito receptivas e nos atenderam de bom grado. Fizemos orações, lemos a Palavra com muitos deles e cantávamos com todos os que nos permitiam.
Senti a presença de Deus, senti-me realizado em estar em mais uma empreitada missionária. Desde que fui a Itaipé em 2013 e dei aulas de Teatro para a igreja nunca mais havia encarado outro desafio. Mais do que isso: tentei ir em muitas viagens mas Deus não me permitiu ir em mais nenhuma neste tempo. Tirando meu mês de férias no Maranhão em 2015 onde pude ajudar a missão, é claro. Mas foram mais férias para descanso do que missões propriamente ditas.
Pouco antes das 12h fomos almoçar. Todos reclamavam de fome ou sono incontrolável, enquanto eu só conseguia pensar na hora em que eu iria conseguir tomar banho. Cada um com suas angústias.
Depois o Pr. Marcelo chamou todos os pastores e mais um menino da Bola de Neve para irmos à divisa de São Paulo com o Paraná, onde fizemos um passeio de balsa. Foi agradável.
No caminho, ele nos contara os detalhes do grande desastre de 2014 na cidade, quando um deslizamento matou mais de 70 pessoas e arruinou mais de 120 casas, aqui.
Quando todos já estavam descansados do almoço e o intervalo acabou eu fui para a escola ajudar na programação: Promovemos uma palestra de prevenção às drogas para os adolescentes e em seguida interagi com os alunos. Era dia do Projeto Escola da Família e havia muitas brincadeiras.
Às 17h00 consegui o que eu tanto queria: Não senti o menor peso na consciência ao sair à francesa na frente de todo mundo para evitar aborrecimentos desnecessários e tomei banho! Aquilo estava me matando. Até parece que eu iria aguentar uma fila quilomêtrica de marmanjos para tirar aquela aura de sujeira de viagem que ainda me acompanhava.
À noite tivemos um culto maravilhoso e Deus falou muito ao meu coração. Além disso foi ótimo ver tanta gente de Deus e talentosa num mesmo lugar. Sinto-me sinceramente honrado por trabalhar ao lado delas.
Itaoca, 28 de maio de 2017
Diário de Bordo da Operação Missionária Alto Vale do Ribeira - SP, da agência MCC - Missionários Cristãos Cooperadores;
Acordei às 6h da manhã com os galos cantando. O horário marcado era 7h30, mas como nem os galos e nem os homens mais madrugadores iriam me deixar mais dormir, então levantei.
Tomei café e fui até o rio para ajudar nos preparativos para o batismo e a ceia do Senhor. Organizamos as coisas que faltavam.
Foi um momento lindo que pudemos testemunhar. Batizamos 3 novos convertidos e quase 100 pessoas estavam presentes às margens do rio. Servimos a Ceia e todos os pastores participaram. A mim me coube servir o elementos. Algo que fiz com alegria. O serviço ao Senhor me entusiasma. Do mais simples e humilde ao mais destacado.
É muito bom estar de volta no campo! Só Deus sabe o quanto.
Neste exato momento, 12h40 estou dentro do ônibus. Feliz pela missão cumprida e por ter conhecido tanta gente boa.
Nestes projetos, sempre embarco com a garantia de que Deus me dará recados muito claros e compreensiveis durante a viagem e desta vez não foi diferente.
Ontem quando registrei o episódio das curvas assustadoras que o ônibus fazia durante a vinda, a história pareceu apenas engraçada ou uma boa aventura para se contar para os netos mas eu sei que aquele foi o momento do maior recado de Deus para a minha vida nesta missão. Ali eu vi que o projeto já havia começado de fato.
Tudo o mais que se seguiu: as pessoas que conheci, as histórias que ouvi, os lugares que pisei e as pregações me trouxeram a mesma mensagem central do Senhor que para mim ficou quase tão audível quanto o som da voz de qualquer pessoa:
"Você não está no controle da sua vida. O Senhor sou eu".

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