São Paulo, 27 de Outubro de 2017
Diário de Bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira - São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.
Saber que Deus ainda me permite essas experiências me traz uma sensação inigualável. Aqui estou eu de novo seguindo para falar de Cristo na região mais pobre do Estado.
Passei na faculdade para entregar o meu último trabalho de Atividades Complementares e também assisti um pouco da palestra de um refugiado sírio que está no Brasil há alguns anos. Deixei o trabalho com a professora Camila e ganhei carona do professor Justino até o ponto de encontro da equipe missionária.
Neste momento já estou dentro do ônibus. Com a cabeça cheia daqueles antigos pensamentos e com a alegria costumeira que se repete como se cada vez fosse a primeira.
Estou tão feliz que nem me deixei afetar com o fato dos meus amigos estarem hoje curtindo a estréia de Stranger Things na Netflix e eu não.
Tenho sempre muitas dúvidas mas entre as tantas certezas é que o Criador irá utilizar esta nova empreitada para me tratar em áreas novas e também velhas. Como sempre faz. A Ele seja a Glória.
Eis-me aqui. De novo.
Ribeirão Branco, 28 de Outubro de 2017
Diário de bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira, São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.
Por volta das 2h da manhã o ônibus parou em Itapetininga e eu já estava decidido a não descer. Eu sabia que se o fizesse iria comer uma coxinha, tomar um Toddynho e me sentir tentado a tomar um café preto depois. Todas essas coisas teriam arruinado a minha noite e o meu planejamento inicial de dormir toda a viagem para ter energia durante o dia.
(E também, é claro, para poupar as pessoas do dissabor de testemunhar o meu mau humor quando sou privado de sono).
Tudo funcionou maravilhosamente bem e chegamos por volta das 5h30 no Vale do Ribeira. Tomamos café, tivemos uma reunião e fomos divididos em equipes: a mim me coube ir com o pessoal para o distrito de Campina de Fora em Ribeirão Branco.
No caminho sentei na frente da van e, durante 30km tive a experiência interessante de ser apresentado pela primeira vez a algumas canções que os rumos da minha vida me permitiam evitar...até hoje.
Wagner... Mayara....Mayara...Wagner...
Wagner...Marahysa.... Marahysa... Wagner...Prazer.
Ao chegarmos na região fomos separados em 3 grupos ainda menores e fomos fazer visitas. Nas duas casas que fui conheci pessoas especialíssimas que muito me ensinaram. Ouvi histórias impressionantes que guardarei em meu coração. Oramos como eles, falamos da Palavra de Deus e, claro, tomamos bastante café.
Amo um cafezinho, tomei com muito gosto mas meu jeito sistemático de ser não me permitia parar de me preocupar com a quebra do almoço. Mesmo a cultura da região apreciar um café menos concentrado eu não queria perder a fome. Mas são pequenas coisas que só mesmo o nosso lado mais fútil dá importância. O prazer de estar no campo missionário te faz largar de mão.
A despeito desses receios sem sentido, o almoço teve um sabor todo especial que minha fome fez questão de aumentar exponencialmente a capacidade de percepção.
Durante o intervalo tivemos um tempo muito agradável e não programado de louvor a Deus. Foi ótimo.
À tarde fomos à escola promover um trabalho com as crianças e levamos doces, incluindo maçã do amor que foi um verdadeiro sucesso.
Ensinei a canção "Jalow" em dialeto africano para elas no momento que as as irmãs ensinavam músicas cristãs para elas. Foi muito bom.
Essa experiência foi marcante pelo que pude observar em algumas crianças. Bastando apenas um olhar mais atento para perceber as demandas e mazelas de algumas. Sei que Deus está interessado no bem e na felicidade delas e ainda há esperança para algumas prisões que algumas vivem.
Voltamos para a igreja às 17h e fomos tomar café da tarde.
Confesso que a essa altura do campeonato a minha aflição por estar há 24 horas sem tomar banho já começava a me corroer por dentro.
Realizamos o culto às 19h30 e foi uma benção. Tive a alegria de pregar sob o tema: "Fugindo de Deus" no texto de Jonas e dois homens se reconciliaram com Cristo. A Deus seja a glória.
Voltamos para Apiaí e jantamos na igreja de Araçaí e tivemos uma reunião de avaliação. Em certos momentos eu não conseguia conter a minha aflição: já se contavam 30 horas sem conseguir tomar banho.
Entendo que isso é um tratamento de Deus na minha vida. Para algumas pessoas ficar sem banho é um presente mas pra mim é uma prova. Sempre me pergunto: "Por que comigo, então, Deus?'
Mas se o Senhor quis assim a mim me cabe aceitar.
Apiaí, 29 de Outubro de 2017
Diário de bordo da Operação Missionária no Alto Vale do Ribeira São Paulo, do MCC - Missionários Cristãos Cooperadores.
Acordei por volta das 6h30, exatamente como eu havia pedido a Deus antes de cair no primeiro estágio do sono. Queria levantar antes de todos os homens para refletir no sermão do culto da manhã e também para escovar os dentes e me arrumar sem enfrentar fila.
Tomamos café, alguns saíram para as últimas visitas e outros ficaram para organizar as coisas como a programação do culto. Tudo correu maravilhosamente bem, Deus falou e foi agradável. Saímos todos muito satisfeitos com tamanho cuidado do Senhor.
O culto foi rápido e terminou em menos de 1h15. Preguei sob o tema "Caindo na real" usando o texto de Marcos 3.31-35.
Em tempo: engoli um mosquito no meio da mensagem e estou até agora tentando decifrar que tipo de recado ou ironia Deus estava tentando me transmitir.
Agora, 13h03 já estou em viagem de volta, processando tudo o que aconteceu. É impressionante como é possível viver um fim de semana com a intensidade de uns 10 dias inteiros. Só mesmo Deus é capaz disso. Às vezes passo meses sem receber tantos recados de Deus, ou melhor, sem me dispor a abrir ouvidos humildes e quebrantados para Ele.
Mais uma missão cumprida. A Jesus de Nazaré seja a Glória.

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